domingo, 28 de junho de 2009

Jogo de cartas.

É um jogo de cartas.
É um enorme e muito bonito jogo de cartas.
Em seu meio, há cartas escuras,
cartas que escondemos.
Todos caminham com suas cartas,
a maioria com elas debaixo do braço,
estragando-as com suor ou invés de usá-las.
Outros ainda seguram-nas bem forte nas mãos.
Só os loucos as jogam, só os loucos sabem jogar.
E jogam! Desperdiçam, diriam.
Jogam, jogam ferozmente, feroz mente!
Feroz mentem!
Minto! Meio aflito! Meio... Onde estará o meio?
Olho as cartas, gosto delas, desprezo-as.
Desprezo a todos! A tudo! Ao mundo!
E amo, amo incontrolavelmente,
Amo desesperadamente,
E vivo, vivo apaixonadamente;
No escuro, no muro, na linha,
Na corda bamba do equilíbrio descontrolado.
E ando, ninguém me pega, ninguém me leva,
Vivo, tou viva, morrendo, remoendo, recriando, reamando, rearmando,
o jogo, as cartas, o mundo, o fundo inconsciente.
O inconsciente que conta que tudo é mentira,
que ri em delírio em cada jogada.
Já não é o mundo, sou eu, e, no entanto somos nós!
É um sonho, é uma mentira, é uma verdade, é a vida:
É um imenso e lindo jogo de cartas!

Por Ligia Lourenço Lucca

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