sábado, 1 de maio de 2010

Tormento.

Acelera o compasso.
O suor esfria a pele quente.
Cadeias neuronais borbulham na mente.
Acelera o compasso.

Alvéolos inflados.
Movimento.
Acelera o compasso.
Fluem plaquetas no encanamento.

Acelera o compasso.
Não se sente exausto.
A garganta um laço.
Acelera desgasto.

Diminui o compasso.
Lentes lentas dormentes.
Ar fluindo ao acaso.
Pensamentos dementes.

Suor frio nefasto.
Pegajoso um tormento.
Angústia forte sem passo.
Alvéolos vazios, sem vento.

Ânsia muda feroz.
És teu próprio algoz.
Vende tudo, vende a alma.
Não existe, não ama.

sexta-feira, 30 de abril de 2010

A natureza do prazer...

Por de trás da película.
Que oculta a luxúria.
Reina a loucura.
O prazer, alucinante euforía.

Da escuridão a claridade.
Onde não há luz há vaidade.
Do outro lado a curiosidade.
Sons guturais, gemidos animais.

De qual prazer alimenta?
O de assistir ou imaginar o ato que seja?
Ou atuar e suar.
Tornar-se apenas um, delirar?

Há de todos os gostos.
Todos os tipos.
Insano ou ditoso.
Mas há sempre algo gostoso.

E não me venha temer.
Ocultar seu pecar.
No mínimo um sonho, um fio de gozo.
Já tomou em seu ser, teu lugar.

Clarão!

Mais um mergulho.
Silêncio.
Fuga do orgulho.
Silencio.

Capas que acumulam.
Expandem desenfreadas.
As lágrimas que curam.
Que não foram choradas.

Mas é frágil o que represa.
Não se mede, se detecta.
Quando a represa inundará.
A alma agora quieta, dispersa.

É cauteloso respirar fundo.
A vertente de lágrimas trará dor.
Sufocrá o fugitivo em seu verdadeiro mundo.
Aquele, suspenso pelo torpor.

Agora é hora de decidir.
Chorará pelas dores represadas?
Exortará o pavor do que está por vir?
Ou seguirá seguindo cego, surdo, mudo,intátil,sem saborear as águas passadas?

Decida!
Descida!
Ascenda!
Acenda!

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Desejo.

Vento...
Arrasta o invisível.
Mas igualmente sensível.
Leva os pelos a arrepiar.

Segue a soprar.
Mas nem tudo carrega.
Nem pensamentos nem idéias.
Estes não se disolvem no ar.

Aqueles são matéria.
Sim, quase etérea.
Mas ainda matéria.
Tudo que é criado é delas originado.

Fantástico mundo anti-matéria.
Mas que idéia é essa?
É a que cria seu mundo.
Que molda tua vida, teu futuro.

Portanto crie sua realidade.
Use as tintas da vida, tão cantadas por Lígia.
Use cores e matizes.
Pois quem ama vigia.

E se deseja saborear o bem estar.
Se prefere fazer que esperar.
Prever a supor e suportar.
Viva como se o mais importante seja viver, sorrir, amar.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Caminho perverso.

Caos...
Ordenamento aleatório.
Profana sombra necessária.
Nivelamento expiatório.

Quando aquele existe.
A dualidade existe.
Torna viva a idéia contrária.
Ainda que esta seja uma idéia arbitrária.

Neste estado não há o bem nem mesmo o mal.
Somente existe vida ou morte.
Que não implica ser dual.
Pois que continua transformação é seu norte.

E após a dor.
Exaustivo frio ou calor.
O que resta ainda em torpor.
Consolida-se, seja como for.

Toma nova forma.
Nova auróra.
Renasce da presente morte.
Em forma de flor em forma de sorte.

Pois que nasce a ordem.
Suavemente sob as cinzas, suspira a vida.
Respira forte.
Ainda assustados não dormem.

E a dimensão temporal cobre os restos em seu véu.
Suavizando as formas.
As emoções os dogmas.
Lhes mostra que não há limite, lhe indica o céu.

E então voltemos a rotina.
Diversa, contínua.
Transformada, renovada.
A dor do ferrão transformou-se em doce mel.

Mas não esqueça de sua sina.
Pois que esta vida contínua, lhe apraz a limitação.
Leava ao esquecimento do infinito, do belo.
Cresce a cruel face do velho ego.

Portanto cuidado!
Como do caos a ordem.
Há o caminho inverso.
Da ordem ao caos, o caminho mais perverso.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Sentir na pele.

Defina, defina!
Dê fino trato ao que elimina.
Alimente o torpor que esconde.
Que lhe leva a fuga, mas prá onde?

Passam os dias.
O tempo é dimensão relativa.
Infinita é a espera.
Para aquele que se desespera...

Nada mais vale.
Somente a inércia.
Nada se sabe.
Somente da cegueira a delícia.

Mas até quando?
Nada é infinito.
Nem a dor, nem o encanto.
Nem o que foi feito, nem o que foi dito.

E assim segue a dúvida.
Até quando?
Enquanto anestesiado adquire grande dívida.
E há de pagar sem desconto...

Não esqueça.
Tente ter paz de espírito.
Antes que aconteça.
Desastroso despertar, da loucura deste conflito.

Espelho...

Quem é aquele?
Que faz aqui?
Veste-se mal.
Ninca o vi.

Faço de conta que não o vejo.
Ignorar é a pior agressão.
Pode chamar, gritar, o que for.
Não dou a mínima atenção.

E continuo a "não enxergar".
Faço questão de seguir e seguir.
Sem que ele faça qualquer coisa para me atrapalhar.
E percebo que a vontade dele é interferir.

Pobre coitado...
Fica lá, atolado.
Quer atenção a todo custo.
Mas por mim é que não será notado!

Ainda assim me pergunto...
Que ele é?
E caio em vazio absoluto...
Reflexo do espelho é...

O muro.

Risco...
Rabisco...
Projeto.
Mas desisto...

Qual é o risco de tentar?
Que se perde se falhar?
Que se ganha ao notar.
Notar o que falhou, e tentar novamente acertar!

Afinal, olhos abertos riscos incertos.
Possibilidades infinitas.
"Casualidades" esquisitas...
Há sempre risco.

Vale a pena sentar?
Ficar vendo o mundo girar?
Esperar a chuva passar?
Ou correr feliz sob as gotas a molhar?

Conquistas são antônimas as derrotas.
Se uma não existe, a outra tampouco...
Portanto se o passado já passou.
O futuro não existe.

Não exite!
Crie seu presente.
Presenteie seu futuro.
Saia de cima deste muro!

domingo, 25 de abril de 2010

Caminho...

Não encontra sua face.
Sofre de amargura.
Apenas enxerga o disfarce.
Mas a tristeza não perdura.

Foge de si.
Deixa o mais importante para trás.
Acorda, e pensa: - Adormeci?
- Sou o mais importante, o meu eu não se desfaz.

Segue o rumo.
Busca sua identidade solitário.
Por este mundo.
Alimenta a alma de um ou outro solidário.

Não dói mais o estômago.
O coração sofre de saudade.
Mas mantém acesa em seu âmago.
Aquela busca, uma necessidade.

Onde chegará?
Desganstando-se a cada passo.
Até quando seu envólucro corporal suportará?
Encontrando sua alma, lança sua sorte ao acaso

Consumo?

Se eu tenho demais.
Alguém terá de menos.
Se este for capaz.
Cobiçará ao menos.

Para que ter além do necessário?
Para trabalhar somente para pagar?
E seu bem estar?
Não está...

Tendências ditatoriais.
Modismos irracionais.
Eles conseguiram prosperar.
Vender o que não precisamos comprar.

Status?
Poder?
Personalizado?
Aparecer?

Mas o que há lá dentro?
Será que está tranquilo?
Será que vive de cálculos?
Com medo, com pessimismo?

Não sei.
Só sabe quem o vive.
Sobrevive quiz dizer.
Pois que o tempo é precioso.

Não há valor que pague este prazer.
Reunir-se com amigos.
Sem ter hora para ir embora.
É uma grande falta...

Pois lá está ele.
Em jornada extra.
Exausto, raciocínio de uma besta.
Para pagar o que não há tempo de usar...

Eternidade.

Aguda...
Pontiaguda de furar.
Lâmina limpa.
Punho virgem.

Fecha o ciclo.
Abre o circo.
No afâ de renovar.
Reina o medo de falhar.

Mas se encontra um apoio.
Ainda que seja medonho.
Há de ir.
Há de enfrentar.

Pois da inquietude da alma.
Da eternidade temporal.
Nunca irá escapar.
Ainda que o mundo siga girando'há sempre alguém a te esperar.

Então desça do banquinho.
Afrouxe o nó.
Caminhe de mansinho.
Para dentro, seguro e só.

Pense nisso.
Viva isso.
Nada existe.
Apenas quilo que não podemos alcançar.