quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Distancia libertária.

Distância difícil.
Mas que preserve o amor.
E ainda que sinta dor.
Protege quem ama, de quem não esquece, idolatra.
Pois se dói a amada, mortifica o amante...

Paradoxo difícil.
Mas necessário.
Pois ao contrário do que parece.
Não perece, protege.
Não abandona, liberta.

Os pássaros são dos céus.
Como os peixes dos rios, mares.
Assim é a amada.
Livre sob a confiança.
A viver sua mocidade.

Humilde há de ser.
Forte não permite-se perecer.
Ainda que não haja sentido.
Há corrente, fluxo constante.
Recebe socorro e educa o infante.

Entre dois extremos.
A vida e a morte.
O próximo e o distante.
Independende de qualquer que seja o medo, o conceito.
Segue a ser eterno amante.

Memória seletiva.

Pobre diabo...
Descobriu sua hipocrisia.
Assumiu o egocentrismo.
Pereceu sob apatia...

Lembrou-se dos idos tempos.
Trouxe de vá os ventos.
Que sua jangada afundou.
Sob lamentos...

Coitado do homem...
Se deu conta de quão pequeno.
Mas seus atos tornam-se tormentos.
Ainda que ninguém testemunhe, não leia seus pensamentos.

Envergonha-se muito.
De pensar ser astuto e perceber ser estúpido.
Esquecendo amigos.
Renegando teus genes...

Cai-se no abismo.
Tão grande quanto seu próprio egoísmo.
Cego, mudo, surdo, sempre se julgando...
Pois que esqueceu ser ser humano...

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

O rio.

Um rio caudaloso.
Fundo rochoso.
Onde corre fresca água.
Pura e clara.
Límpida e insípida.
Somente água.

O aroma da floresta que paira sobre a bruma que cobre o Rio.
O reflexo do brilho solar a perder-se no vazio.
Traz tranquilidade ao peito daquele que sente a corrente a água a levar.
E ainda que não houvesse teu olhar.
O rio seguiria teu caminho independente.
Contínuo ao transpor barreiras com tua força a arrebentar.

Ó rio de encantos.
Que ouço em teu canto.
O que há de mais belo, e no entanto.
Melancolia mescla-se ao prazer, alegria, florescer.
Pois que das montanhas vieste nascer.
No mar misturar, falecer, e aos céus novamente se elevar.

Desejo ainda que este saudoso rio.
O qual tanto prezo, tanto amo.
Possa novamente cruzar.
Não! Não desejo mais somente cruzá-lo.
Mas em tuas águas navegar.
Até seu delta alcançar e minha embarcação afundar.

domingo, 4 de outubro de 2009

Tudo muda o tempo todo.

Renovação.
Novo novamente.
Novamente nova.
Nova mente.
A matéria não mente.
Degrada, desdobra.
Sempre nova obra.
Inacabada se trnsforma.
É sem fim no infinito.
As pluralidades.
As desigualdades.
Ansiedades de cada sentir.
Doer talvez? Pode até ser...
É opção diante da sofreguidão.
Que é certa.
Assim como a água desperta o semblante cansado.
Se um ser humano ofuscado.
Por qualquer que seja a luz.
Principalmente a da cor do pecado.
Que mora ao seu lado.
E por isso fecha seus olhos.
Que um dia estiveram abertos.
E que viram suas próprias mãos sujas de fel.
Cruel, pois sem amor.
Restando apenas atrito, tesão e dor...