Resplandece aos olhos sedentos...
Após dias e dias de areia, sol e frio.
Resplandece ao olfato sedento.
Após dias de angústia e calafrios.
E das últimas forças resurge a caminhada, mais parece uma lesma seca...
Agora resplandece aos ouvidos o cantar de pássaros.
É...
Realmente é um oasis!
Ó Deus! Obrigado!
Agora reúne as últimas partículas de glicose do sangue, os poucos nutrientes que seu músculo pode usar e aumenta os passos!
Em primeiro plano enxerga linda árvore, frondosa, de sombra fresca e gramado macio para deitar-se.
- Quanto tempo Deus, quanto tempo esperei por isso! Sussura aquele pedaço humano de pele rachada, estômago do avesso, cabelos queimados...
E da árvore, a primeira figura em sua visão distorcida pela mortalidade daquele corpo, enxerga agora um lindo e brilhante fruto vermelho!
Ao conseguir aproximar-se cambaleante, incrívelmente poir já não á forças para movê-lo, apenas há a fé...
Num último e derradeiro esforço, talvez o último antes que a morte o vença por secarlhe ao sol e a fome, agarra lindo, macio, maciço e cheiroso fruto.
- Obrigado senhor! Sussurra...
A gravidade o auxilía a deixar cair o fruto entre seus dentes, e então o doce sabor o inebría, arrepia, de tão molhada é a fruta que abundantemente escorre pelo seu rosto e dentro de sua boca penetra as papilas gustatívas, como se aquela fração de segundo durasse a eternidade e escorrendo aquele delicioso mel chega até o final de sua língua e garganta...
Infelizmente somente as últimas papilas gustatívas identificam o amargor e o deleite agora torna-se desespero... Aquele grande pedaço quase que engolido por inteiro prende-se a sua garganta, enforca-lhe internamente enquanto seus olhos de pavor, arregalados de tamanha dor, em seu rosto são derrubados a areia que consome por días aquele terrível miserável...
Nenhum comentário:
Postar um comentário