Então um jovem maltrapilho e sujo caminhava em estrada empoeirada pela passagem do único veículo em horas de caminhada, ao fundo o Himalaia como um alvo, um objetivo. Quando a poeira baixou surgiu um ancião sentado em grande rocha com longa basba branca, vestimenta alaranjada e rosto bastante deteriorado pelo passar dos anos, entretanto possuía tamanha vitalidade em seus olhos que uma pessoa comum a fitar-lhe ficaría perplexa. Eis que o ancião lhe perguntou:
- Para onde caminhas rapaz?
E o rapaz respondeu:
- Vou em busca de mim mesmo.
- Então caminhas no caminho contrário rapaz. Disse o ancião.
- Como assim? Aomo sabes o caminho que busco? Disse o jovem.
- A fuga. Respondeu de pronto o ancião.
- Não mesmo senhor, busco paz para meditar, a natureza a envolver-me e assim ter condições de buscar o nirvana esforçando-me. Contestou o Rapaz.
E com um olhar profundo e severo o ancião previu.
- Se a morte a traduz como nirvana, siga, engane-se, pois que não será páreo para a força da montanha. Informou o Ancião.
- Não busco a morte senhor, busco elevação. Replicou o rapaz.
- Pois então retorne a tua origem, eleve-se através da prática diária da paciência, da compaixão, do trabalho e do amor para com o próximo como deseja ate mesmo. Disse o ancião a levantar-se.
- Mas na cidade não há a paz da montanha! Como hei de concentrar-me? Arguiu o rapaz.
E com firmeza respondeu o mestre: - Por acaso há de te concentrar para respirar?
O rapaz coçou a cabeça e confuso respondeu de pronto: - Não!
- Pois é jovem rapaz. Não creia ter fora de ti a força para a elevação, pois que está dentro, basta praticá-la. Podes meditar em posição de lótus no centro do mercado, podes meditar a caminhar por entre a multidão, basta que busque este eu primordial, este eu divino que todos temos dentro de nós, tão poderoso e simultâneamente simples de encontrá-lo, pois de pequenos em pequenos atos, pensamentos, alimentos, há de despojar-se daquilo que encobre teu eu e assim tuas meditações serão tão habituais e naturais quanto o ato de respirar, este será o nirvana!
O rapaz ainda confuso, tentou aproximar-se do ancião e vruuuuuummmmm, novamente passa o caminhão agora em sentido contrário levantando densa poeira, um mixto de sufoco e cegueira tomaram conta do rapaz que esperando a poeira passar ficou extremamente intrigado! Para onde foi o ancião? Chamou, gritou na imensidão, buscou por entre algumas poucas pedras e nada... Seria real aquela aparição? Uma miragem produzida por sua consciência... Nunca soube explicar, simplesmente deu meia volta e retornou assim, como foi até ali, sujo, maltrapilho até sua aldeia a buscar o nirvana.
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