sexta-feira, 31 de julho de 2009

Andando na linha...

Olhos abrem-se...

Inclino-me a por os pés ao chão.

Mas não.

Não é chão, uma linha é...

Sem bastão para equilibrar-me.

Basta usar meus braços, minhas mãos...

Coração nem pensar.

Aqui vale mais a razão.

Calcular, avaliar, os ventos a soprar...

De um lado um lago, um mar...

De outro há fogo, dor...

A linha é a salvação.

Ainda com minha inquietação.

Poucas vezes os olhos hão de fechar...

Somente a lubrificar a retina.

Que nem tem tanta importância agora, pois entre as ondas sonoras, os ventos.

O tato, a audição, são os sentidos mais importantes.

Sigo o dia a equilibrar-me, sem equilíbrio sólido.

Preciso ser humilde e paciente para suportar...

Há momentos que a vontade é de lançar-me...

Mas levarei muito, deixarei muito, ainda que seja uno...

Enfim...

Quero é seguir, ainda que teime em desequilibrar-me.

Quero seguir.

Vou seguir.

E conseguir a cada dia equilibrando-me.

Percorrer todo o dia sobre a linha e voltar ao repouso do sono.

Lembrar-me daquilo que aprendi.

Do equilíbrio, o qual desenvolvi.

Deitar minha cabeça sobre o travesseiro e enfim dormir em paz...

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