Olhos abrem-se...
Inclino-me a por os pés ao chão.
Mas não.
Não é chão, uma linha é...
Sem bastão para equilibrar-me.
Basta usar meus braços, minhas mãos...
Coração nem pensar.
Aqui vale mais a razão.
Calcular, avaliar, os ventos a soprar...
De um lado um lago, um mar...
De outro há fogo, dor...
A linha é a salvação.
Ainda com minha inquietação.
Poucas vezes os olhos hão de fechar...
Somente a lubrificar a retina.
Que nem tem tanta importância agora, pois entre as ondas sonoras, os ventos.
O tato, a audição, são os sentidos mais importantes.
Sigo o dia a equilibrar-me, sem equilíbrio sólido.
Preciso ser humilde e paciente para suportar...
Há momentos que a vontade é de lançar-me...
Mas levarei muito, deixarei muito, ainda que seja uno...
Enfim...
Quero é seguir, ainda que teime em desequilibrar-me.
Quero seguir.
Vou seguir.
E conseguir a cada dia equilibrando-me.
Percorrer todo o dia sobre a linha e voltar ao repouso do sono.
Lembrar-me daquilo que aprendi.
Do equilíbrio, o qual desenvolvi.
Deitar minha cabeça sobre o travesseiro e enfim dormir em paz...
Nenhum comentário:
Postar um comentário